sábado, 16 de janeiro de 2010

Familiares fazem última despedida a Zilda Arns em enterro reservado

Embora portas do Cemitério Muncipal do Água Verde tenham ficado fechadas ao público em geral, cerca de 200 pessoas estavam em frente ao local no momento da chegada do caixão


O sepultamento do corpo da médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, que ocorreu por volta das 16h50 deste sábado (16) no Cemitério Municipal do Água Verde, em Curitiba, marcou a última despedida dos familiares à fundadora da Pastoral da Criança. No enterro, Zilda foi lembrada pelo primo de Zilda e bispo prelado de São Félix do Araguaia (MT), Dom Leonardo Steiner, como "um exemplo de mulher e de mãe". A cerimônia foi restrita à família e amigos próximos, e ocorreu quatro dias após a morte da missionária, vítima do terremoto que arrasou o Haiti na última terça-feira (12).


"Doutora Zilda foi uma mulher que deixou um grande legado para a Igreja. Somos gratos por tudo o que ela fez", definiu Steiner. Apesar da restrição à entrada da população em geral, de acordo com a Guarda Municipal, cerca de 200 populares estavam em frente ao cemitério no momento em que o caminhão do Corpo de Bombeiros com o caixão de Zilda chegou. Ainda antes de a urna funerária descer do veículo, o público aplaudiu, em memória à médica. O mesmo gesto havia sido realizado na saída do caixão do Palácio das Araucárias, cerca de 40 minutos antes.

"Mesmo sabendo que o enterro ia ser fechado, fiz questão de vir até aqui para agradecer Zilda, que salvou a vida das minhas duas filhas", disse a diarista Jussara de Lurdes, que ficou no portão do cemitério. "As duas, gêmeas, nasceram prematuras e foram acompanhadas pela doutora Zilda até os 5 anos de idade", conta. Hoje, as filhas de Jussara têm 23 anos.


Oficialmente, a última despedida pública à missionária ocorreu durante a missa de corpo presente, que ocorreu entre as 14h20 e as 15h30. A cerimônia, presidida pelo cardeal e arcebispo primaz do Brasil Dom Geraldo Majela Agnello, foi marcada pela comoção tanto dos estiveram no salão do Palácio das Araucárias, onde ocorreu o missa, como das pessoas que estavam do lado de fora do prédio e assistiram ao culto por meio de telões.

A estimativa da Polícia Militar (PM) é que entre 150 e 200 pessoas tenham acompanhando o culto pelos telões e outras 150 do lado de dentro do Palácio. O velório, por outro lado, contou com uma presença muito maior de admiradores. Entre as 11h20 de sexta-feira (15) e as 13h30 deste sábado, quando a visitação ao caixão foi aberta ao público, mais de 7 mil pessoas estiveram no Palácio das Araucárias, segundo a PM. Diversas autoridades, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vieram a Curitiba para o último adeus à médica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Richa, Temer e Aníbal no velório de Zilda Arns



O prefeito Beto Richa está agora no velório de Zilda Arns, no Palácio das Araucárias. Acompanhou os deputados federais José Aníbal, do PSDB, e Michel Temer, do PMDB.

Às 15h30 deve chegar à Curitiba o governador de São Paulo, José Serra. A pedido de Serra, Beto Richa vai aguardá-lo no aeroporto e acompanhá-lo até o velório.

O presidente Lula ainda não confirmou a hora de sua chegada.

Blog do Fábio Campana
TJs ameaçam resistir a norma de transparência


Agência Estado

Tribunais de Justiça poderão oferecer resistência à norma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que impõe publicidade total, inclusive pela internet, de dados relativos à administração e execução orçamentária e financeira dos TJs de todo o País. O alerta é do juiz Mozart Valadares, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), mais influente entidade da categoria.

A Resolução 102, proposta pelo conselheiro Marcelo Neves e em vigor há dez dias, cria no Judiciário um Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo) e abre a qualquer contribuinte informações sobre desembolso com servidores e juízes, despesas com vencimentos e gratificações, gastos com manutenção, construção ou reforma de prédios e aquisição de veículos.

Tais registros nunca foram de domínio público porque os tribunais historicamente os mantinham protegidos à sombra da rubrica da confidencialidade. "Todo processo de mudança no Judiciário aguça algum segmento de resistência", avisa Valadares. "Infelizmente, estou convencido de que vamos ter resistência por parte de alguns tribunais. A resolução é um mecanismo de transparência muito saudável. Quanto maior o controle social, melhor a possibilidade de uma boa gestão porque leva em conta nossas prioridades."

A resolução 102 mira principalmente os TJs, focos de rebelião à ação do CNJ. O Judiciário federal já expõe seus números habitualmente - os tribunais superiores, o próprio CNJ, a Justiça Militar da União, a Eleitoral, e a do Trabalho. Os TJs gastaram em 2008 R$ 19,067 bilhões - o total da despesa pública, também na soma de todos os Estados, atingiu R$ 369 bilhões naquele ano. O Judiciário responde, em média, por 5,2% da despesa pública global. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Flávio Arns ressalta 'legado' deixado por Zilda Arns


Agência Estado

O senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho da fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que morreu no terremoto no Haiti, destacou hoje o "legado" deixado pela médica na luta contra a mortalidade infantil e afirmou que ela fez um "grande esforço a favor da dignidade e da humanidade no atendimento à criança através de práticas simples que dão resultado". "Não precisa de soluções mirabolantes, mas de coisas práticas", disse ele, em entrevista à Rádio Eldorado.

"É uma rede de solidariedade (a Pastoral). As crianças morriam de diarreia, desidratação, infecções e o soro fez com que elas deixassem de ir para o hospital", disse. O parlamentar se referiu a projetos como o soro caseiro e a chamada "farinha milagrosa", uma mistura dos produtos mais baratos e acessíveis de cada região (em geral, feita à base de trigo, arroz, milho, sementes de abóbora e cascas de ovo).

Desde 1983, em Florestópolis (PR), onde nasceu a entidade, a Pastoral se expandiu por quase todas as cidades brasileiras e cerca de 20 países, de acordo com Flávio Arns, onde atende aproximadamente 2 milhões de crianças em bolsões de pobreza. Flávio Arns voltou de viagem ao país caribenho, onde esteve com o ministro da Defesa, Nelson Jobim.


Situação 'dramática'

O senador do PSDB do Paraná relatou também a "situação dramática" vivida no país, onde há centenas de corpos pelas ruas e escombros por toda a parte. "Há muitos mortos e vivos embaixo dos escombros. Há problemas de segurança, falta de medicamentos e de infraestrutura, hospitais que ruíram com todos os doentes, médicos e enfermeiros. A escola ao lado da igreja em que tia Zilda terminava sua palestra caiu com todas as crianças dentro", contou. "Minha tia estava lá justamente para iniciar o processo da Pastoral da Criança no Haiti."
Um refém é libertado na Penitenciária Central do Estado



Um dos agentes penitenciários que estava refém na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, foi libertado por volta das 10 horas desta sexta-feira (15). A libertação de Antônio Alves aconteceu depois que o juiz corregedor Márcio Tockars assinou o recebimento de uma carta com a lista dos detentos que os presos pedem que sejam transferidos para outros presídios. Outros dois agentes continuam reféns.


De acordo com informações da repórter Janaina Monteiro, que está no local, as negociações serão retomadas às 13 horas. Representantes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) acompanham as negociações entre as autoridades e os presos. Segundo a Polícia Militar (PM), a situação no momento está sob controle.

Além da transferência de presos, os detentos querem melhorias no serviço de atendimento psicológico, na comida, e exigem, ainda, mais tempo para banho de sol. Eles também querem garantias de que, depois de se entregarem, não aconteçam represálias.

Na noite desta quinta-feira (14), a violenta rebelião tomou conta de todas as 14 alas da penitenciária, onde há cerca de 1.500 presos. O tumulto começou por volta das 21h. Informações no local dizem que seriam pelo menos oito presos mortos. Em entrevistas a rádios, um dos rebelados garantiu por telefone que os funcionários estavam bem.


A rebelião foi facilitada pela retirada dos policiais militares que faziam a segurança interna da unidade. À noite, ficaram apenas os agentes penitenciários - menos de 20 deles. Na hora da contagem de presos, que é feita a cada troca de turno, todos os dias, os presos tomaram os agentes reféns.

parana-online
Governo volta a abusar dos cartões corporativos
Quem mais gastou foi o gabinete do presidente Lula: R$ 15 milhões, 93% sem discriminar as despesas




Depois de um ano controlando os gastos com cartões corporativos após a polêmica em relação aos gastos de 2007 que causou, inclusive, a queda da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), o governo federal voltou a relaxar e permitiu, em 2009, aumento de 17% no uso do cartão corporativo.


De R$ 55,3 milhões gastos em 2008, a conta subiu para R$ 64,5 milhões, como divulgou o portal Contas Abertas. Quem mais gastou foi a Presidência da República.

Dos R$ 15 milhões gastos pelo gabinete do presidente Lula, 93% não foram discriminados por serem considerados “informações protegidas por sigilo, para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

A assessoria do gabinete da Presidência alega que o aumento do uso do cartão deveu-se às despesas com o evento da Cúpula da América Latina e do Caribe e pela realização do Fórum Social Mundial, no início do ano.

“Nos referidos eventos, houve a participação de inúmeras delegações estrangeiras. Excluídas essas despesas, a execução nominal com o cartão de pagamentos manteve-se praticamente a mesma que a de 2008”.

Ao todo, 13 órgãos aumentaram o uso dos cartões. O Ministério da Integração Nacional, por exemplo, duplicou o uso dos cartões de 2008 para 2009, de R$ 277 mil para R$ 565 mil.

Quase 80% dos gastos ficaram por conta de servidores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). O Ministério da Justiça também ampliou consideravelmente seus gastos e com impacto bem maior: de R$ 6,9 milhões para R$ 13,9 milhões, destes, R$ 13,6 milhões foram gastos pelo Departamento da Polícia Federal, em despesas sigilosas.

Quem mais diminuiu seus gastos com o cartão foram os ministérios envolvidos na polêmica com os gastos de 2007. Na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, pivô da polêmica dos cartões, os gastos vêm caindo sensivelmente.

Em 2007, uma despesa de R$ 182 mil causou a queda da ministra. Em 2008, os gastos caíram para R$ 35,2 mil e para R$ 13,8 mil no ano passado. A redução, segundo a secretaria, é resultado da substituição do uso dos cartões por um sistema de pagamento de diárias para custear os deslocamentos.

O Ministério do Esporte também diminuiu significativamente os pagamentos por intermédio dos cartões desde 2007, ano em que o ministro Orlando Silva utilizou o cartão corporativo para pagar R$ 8,30 por uma tapioca.

Em 2007, os desembolsos do órgão chegaram a R$ 37,2 mil. No ano seguinte, a utilidade caiu para R$ 15 mil, enquanto em 2009 atingiu apenas 5,6 mil um decréscimo de 63%.

O cartão corporativo foi implementado pelo decreto n´ 3.892 de agosto de 2001 para facilitar os pagamentos de rotina das autoridades. O objetivo era descomplicar a vida dos servidores públicos que poderiam utilizá-lo para gastos emergenciais e essenciais.

Entre 2002 e 2009, os gastos com o cartão já atingem R$ 277,5 milhões. O pico de desembolsos foi em 2007, quando foram pagos por meio do instrumento R$ 76,3 milhões.

parana-online
Rebelião em Piraquara

Um refém é liberado e oito feridos são retirados da PCE

Presos dizem que sete pessoas foram mortas durante a rebelião. Governador Roberto Requião confirmou, via twitter, três mortes. Negociações entre as autoridades e os detentos devem ser retomadas às 13h




Foi libertado por volta das 10h30 desta sexta-feira (15) um dos agentes penitenciários que era mantido refém na rebelião realizada na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba (RMC). Ele foi identificado como Antônio Alves, e foi liberado na presença de alguns cinegrafistas de emissoras de televisão que tiveram acesso ao local. Segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp-PR), ele sofreu lesões leves e passa bem.


No mesmo horário, oito detentos feridos foram retirados da PCE em uma ambulância. A informação é da secretária da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Isabel Kugler Mendes, que participa da negociação entre as autoridades e os presos. Novas conversas entre os dois lados devem acontecer a partir da 13h.

A rebelião, iniciada na noite de quinta-feira (14), pode ter deixado sete pessoas mortas, de acordo com detentos da PCE que entraram em contato com familiares que estão em frente à penitenciária. O governador Roberto Requião (PMDB) informou no início da madrugada, por meio do microblog twitter, que três presos estariam mortos na rebelião. A Sesp confirmou que há detentos mortos, mas até as 12h30 não havia divulgado um número oficial. As possíveis vítimas fatais seriam detentos que, no linguajar do presídio, estariam “no seguro”, isto é, ameaçados de morte e, por isso, isolados.


Dois agentes penitenciários ainda são reféns dos presos. As primeiras negociações começaram por volta das 9h30, depois da chegada do juiz corregedor Márcio Tockars. A entrada de alguns cinegrafistas e de um fotógrafo foi permitida na penitenciária.

O diálogo com os detentos está sendo coordenado pela PM. Além dos representantes da OAB e do juiz corregedor, também estão na PCE o secretário da Justiça do Paraná, Jair Ramos Braga, e o coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), Sezinando Paredes.

Os presos informaram que querem melhorias na comida, no serviço de atendimento psicológico, mais tempo para o banho de sol, modificação no sistema de visitas e verificação de penas. Alguns detentos solicitam transferência para outras regiões do estado e também para fora do Paraná. Eles ainda pedem que, depois que se entregarem, não haja represália por parte da polícia.

Nesta manhã, diversos presos continuavam em cima da laje da penitenciária e queimavam colchões. Entre parentes de presidiários e representantes da imprensa, cerca de 50 pessoas se concentravam em frente à PCE. A rebelião teria começado na 10.ª galeria, durante a contagem dos presos, e se espalhado pelo presídio. Internos das alas 7, 8 e 10, entraram em confronto e fizeram reféns.

Retirada da Polícia Militar

A ação dos presidiários acontece na mesma semana em que, por ordem da Secretaria da Segurança, foram retirados os 48 policiais militares que faziam a guarda armada do local, em apoio aos agentes. Dezesseis trabalhavam em cada turno do dia. Os PMs atuavam dentro da PCE desde o ano 2001, data da última rebelião que aconteceu no local. Os policiais teriam sido retirados para atender o público externo durante a Operação Verão, quando muitos policiais são deslocados para o litoral. “O secretário da Justiça informou à Secretaria de Segurança que não havia condição de ficar sem a polícia no local, mas não houve resposta da Sesp”, conta Isabel.

O comandante-geral da PM, coronel Rodrigo Larson Carstens, afirmou que os policiais que estavam na PCE estavam ociosos. "Eles foram transferidos para fazer o policiamento de rua, protegendo a população", declarou o oficial à Agência Estadual de Notícias (AEN), órgão oficial do governo.

O perigo de rebelião já havia sido alertado pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, quando soube da saída dos PMs. O presidente do sindicato, Clayton Agostino Auwertzr avisou, em ofício, a OAB. O presidente da OAB-PR, Lucio Glomb, que tomou posse no dia 1.º de janeiro, teria conversado com Sezinando Paredes a respeito da falta de segurança e uma comissão da OAB teria agendado para esta sexta-feira uma visita à PCE.

Sem os PMs, ficam apenas no máximo 30 agentes penitenciários fazendo a segurança de 1,5 mil presos em 13 galerias que compõem o complexo de 40 mil metros quadrados de área construída.

Portal RPC